Custos além do preço do imóvel: tudo que você vai pagar na hora da compra
ITBI, escritura, registro, corretagem e reforma somam 8% a 15% do valor do imóvel — e não entram no financiamento. Veja a conta completa antes de fechar negócio.
O preço do imóvel é só o começo. Quem planeja a compra somando apenas a entrada e a parcela do financiamento costuma ter uma surpresa nos primeiros meses: ITBI, escritura, registro no cartório, vistoria técnica, reforma e mudança chegam ao mesmo tempo — e não entram no financiamento.
Este guia detalha todos os custos reais da compra de um imóvel, com estimativas por faixa de preço e por cidade, para que você planeje sem susto e sem dinheiro faltando na hora H.
ITBI: o maior custo extra da compra de imóvel — e como varia por cidade
O ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) é cobrado pelo município sobre toda transferência de imóvel. As alíquotas variam bastante entre as cidades:
| Cidade | Alíquota ITBI | Sobre imóvel R$ 400 mil | Sobre imóvel R$ 700 mil |
|---|---|---|---|
| São Paulo (SP) | 3% | R$ 12.000 | R$ 21.000 |
| Rio de Janeiro (RJ) | 2% | R$ 8.000 | R$ 14.000 |
| Belo Horizonte (MG) | 3% | R$ 12.000 | R$ 21.000 |
| Curitiba (PR) | 2,7% | R$ 10.800 | R$ 18.900 |
| Porto Alegre (RS) | 3% | R$ 12.000 | R$ 21.000 |
| Salvador (BA) | 2% | R$ 8.000 | R$ 14.000 |
| Brasília (DF) | 3% | R$ 12.000 | R$ 21.000 |
Atenção: o ITBI incide sobre o valor total do imóvel — não só sobre a parte financiada. Quem financia 80% de um imóvel de R$ 500 mil paga o ITBI sobre os R$ 500 mil, não sobre os R$ 400 mil financiados. O pagamento é condição para lavrar a escritura e registrar o imóvel em seu nome.
O STJ definiu em 2024 (Tema 1.113) que a base de cálculo do ITBI é o valor declarado na transação, não o valor venal do IPTU — o que pode reduzir o imposto em cidades onde o valor venal estava inflacionado. Veja os detalhes em ITBI, escritura e registro: guia completo.
Escritura pública e registro: emolumentos de cartório
A escritura pública é o documento que formaliza a transferência do imóvel entre vendedor e comprador. Já o registro no Cartório de Registro de Imóveis (CRI) é o ato que torna essa transferência válida perante terceiros — é ele que faz você ser oficialmente o dono.
Os emolumentos são tabelados por estado e calculados sobre o valor do imóvel. No geral:
- Escritura pública: 0,5% a 1,5% do valor (depende do estado e do valor do imóvel).
- Registro no CRI: 0,4% a 0,8% do valor.
- Total de cartório: geralmente entre 1% e 2% do valor do imóvel.
Nos financiamentos bancários, a alienação fiduciária registrada no CRI substitui a escritura pública simples e tem custos similares — inclui o contrato do banco, não apenas a transferência de propriedade.
Taxa de corretagem: quem paga e quanto é
A corretagem imobiliária remunera o corretor pela intermediação. A tabela do CRECI estabelece como piso: 6% para imóveis em geral e 5% para imóveis acima de R$ 1 milhão. Para imóveis rurais ou industriais, a comissão pode chegar a 10%.
Por lei, a corretagem é paga por quem contratou o corretor — normalmente o vendedor. Porém, construtoras frequentemente transferem esse custo ao comprador de forma explícita no contrato de compra. Pergunte antes de assinar. Se o comprador paga corretagem, some-a ao orçamento total — ela representa 5% a 6% do valor do imóvel.
Vistoria técnica: por que vale sempre fazer
A vistoria técnica é uma inspeção realizada por engenheiro ou arquiteto habilitado antes da assinatura do contrato definitivo. Ela identifica:
- Problemas estruturais: trincas, recalque de fundação, rachaduras em pilares.
- Infiltrações e umidade: especialmente em coberturas, subsolos e paredes externas.
- Instalações elétricas: fiação fora das normas, quadro elétrico subdimensionado.
- Instalações hidráulicas: tubulações antigas em ferro (risco de ferrugem), pressão insuficiente.
- Regularidade documental: averbação de construção na matrícula, habite-se válido.
O custo da vistoria (R$ 500 a R$ 2.000) é mínimo comparado ao risco de herdar problemas que somam R$ 30.000 a R$ 100.000 em reformas. Para imóveis usados com mais de 15 anos, a vistoria é quase obrigatória.
Todos os custos somados: o orçamento real da compra
| Custo | % do valor | Imóvel R$ 400 mil | Imóvel R$ 700 mil | Entra no financiamento? |
|---|---|---|---|---|
| ITBI (média ~2,5%) | 2% a 3% | R$ 8.000 a R$ 12.000 | R$ 14.000 a R$ 21.000 | Não |
| Escritura pública | 0,5% a 1,5% | R$ 2.000 a R$ 6.000 | R$ 3.500 a R$ 10.500 | Não |
| Registro no CRI | 0,4% a 0,8% | R$ 1.600 a R$ 3.200 | R$ 2.800 a R$ 5.600 | Não |
| Corretagem (se paga pelo comprador) | 5% a 6% | R$ 20.000 a R$ 24.000 | R$ 35.000 a R$ 42.000 | Não |
| Vistoria técnica | — | R$ 500 a R$ 2.000 | R$ 800 a R$ 2.500 | Não |
| Mudança | — | R$ 800 a R$ 3.000 | R$ 1.500 a R$ 5.000 | Não |
| Reforma inicial (imóvel usado) | 3% a 8% | R$ 12.000 a R$ 32.000 | R$ 21.000 a R$ 56.000 | Não |
A tabela não inclui corretagem paga pelo comprador. Se for o caso, acrescente 5% a 6% do valor ao total.
| Cenário | Imóvel R$ 400 mil | Imóvel R$ 700 mil |
|---|---|---|
| Entrada mínima (20%) | R$ 80.000 | R$ 140.000 |
| ITBI + escritura + registro | ~R$ 15.000 | ~R$ 26.000 |
| Reforma inicial (imóvel usado médio) | ~R$ 20.000 | ~R$ 35.000 |
| Mudança + despesas iniciais | ~R$ 3.000 | ~R$ 5.000 |
| Total que você precisa ter | ~R$ 118.000 (30%) | ~R$ 206.000 (29%) |
Um imóvel de R$ 400 mil exige que você tenha disponível em torno de R$ 118 mil — não os R$ 80 mil de entrada. Quem planeja só com a entrada mínima pode não ter recursos para pagar ITBI e cartório no momento da escritura.
Custos mensais após a compra: o que muda no seu orçamento
Além dos custos de aquisição, comprar um imóvel aumenta os gastos fixos mensais. Muitas pessoas calculam apenas a parcela do financiamento e ignoram o que vem junto:
| Custo mensal | Apartamento simples | Apartamento médio | Apartamento alto padrão |
|---|---|---|---|
| Condomínio | R$ 300 a R$ 600 | R$ 700 a R$ 1.200 | R$ 1.500 a R$ 3.000+ |
| IPTU (mensal) | R$ 50 a R$ 150 | R$ 150 a R$ 400 | R$ 400 a R$ 800+ |
| Seguro residencial | R$ 30 a R$ 60 | R$ 60 a R$ 120 | R$ 100 a R$ 200 |
| Manutenção (reserva) | R$ 150 a R$ 300 | R$ 300 a R$ 600 | R$ 600 a R$ 1.200 |
| Total mensal estimado | R$ 530 a R$ 1.110 | R$ 1.210 a R$ 2.320 | R$ 2.600 a R$ 5.200 |
Um apartamento de padrão médio com financiamento pode ter R$ 1.200 a R$ 2.300 de custos mensais fixos além da parcela — condomínio, IPTU, seguro e reserva de manutenção. Some isso à parcela antes de decidir se o imóvel cabe no orçamento.
Diferença de custos: compra à vista vs compra financiada
Quem compra à vista paga os mesmos custos de cartório e ITBI, mas não tem o custo do seguro MIP/DFI embutido nas parcelas (que pode representar de 0,03% a 0,10% do saldo devedor ao mês). Por outro lado, quem financia pode usar o FGTS e preservar o capital próprio para outras aplicações.
O custo de oportunidade importa: se você tem R$ 500 mil disponíveis, pagar à vista poupa os juros do financiamento (11,19% a.a. + TR), mas abre mão do rendimento que esse capital geraria no Tesouro Selic (14,5% a.a.). Para imóveis de alto valor, muitos compradores financiam mesmo tendo o dinheiro disponível.
Como planejar o orçamento completo antes de comprar
- Calcule entrada + ITBI + cartório + reforma estimada antes de definir o limite de preço do imóvel. Esse total é o seu "capital de compra", não só a entrada.
- Mantenha uma reserva de emergência de 3 a 6 meses de despesas separada — não use tudo na compra. Imprevistos aparecem nos primeiros meses.
- Solicite ao cartório uma estimativa dos emolumentos antes de fechar o negócio — as tabelas estaduais são públicas e o tabelião é obrigado a informar.
- Se o imóvel for usado, faça a vistoria técnica antes de assinar o compromisso de compra e venda — não depois.
- Some os custos mensais extras (condomínio + IPTU + seguro + manutenção) à parcela do financiamento para ter o custo real mensal de morar no imóvel.
Se você ainda está na fase de juntar o dinheiro necessário, veja como acelerar esse processo no guia sobre como economizar para dar a entrada em um imóvel.
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Perguntas frequentes sobre custos na compra de imóvel
Quem paga a corretagem na compra de um imóvel?
Por padrão legal, a corretagem é responsabilidade de quem contratou o corretor — geralmente o vendedor. Porém, muitas construtoras transferem esse custo ao comprador. Pergunte antes de assinar e peça que conste no contrato.
É obrigatório fazer vistoria técnica antes de comprar?
Não é obrigatória por lei, mas é altamente recomendada em imóveis usados. Uma vistoria profissional identifica problemas estruturais, elétricos e hidráulicos que não aparecem numa visita comum — e que podem custar dezenas de milhares de reais para corrigir.
Posso financiar o ITBI e os custos de cartório?
Não. Os bancos financiam apenas o valor do imóvel (até 80%). ITBI, escritura e registro precisam ser pagos à vista. Some esses custos à entrada — a conta real é entrada + cartório, não só a entrada mínima exigida pelo banco.
O seguro MIP e DFI são obrigatórios no financiamento?
Sim. Em todo financiamento pelo SFH, os seguros MIP (Morte e Invalidez Permanente) e DFI (Danos Físicos ao Imóvel) são obrigatórios por lei e ficam embutidos na parcela mensal. Você pode contratar seguro de vida complementar independente para ter cobertura maior.
Quanto custa a mudança e a reforma inicial de um imóvel?
Mudança residencial: de R$ 800 a R$ 5.000 dependendo do volume. Para imóvel usado, a reforma inicial consome tipicamente 3% a 8% do valor do imóvel. Imóvel de construtora pode precisar de armários e móveis sob medida, que custam R$ 15.000 a R$ 60.000 em apartamentos de 60 a 120 m².