Como economizar para dar entrada em um imóvel: guia prático 2026

Descubra quanto você realmente precisa juntar (entrada + cartório), onde investir o dinheiro e as estratégias mais eficientes para comprar seu imóvel mais rápido.

Como economizar para dar entrada em um imóvel: guia prático 2026

A falta de entrada é o principal obstáculo para quem quer comprar um imóvel no Brasil. Os bancos financiam, em geral, no máximo 80% do valor — e ainda existem os custos de cartório por cima. Planejar a entrada com antecedência muda completamente o custo total do financiamento.

Este guia mostra exatamente quanto você precisa juntar, onde investir o dinheiro e quais estratégias aceleram esse processo.

Por que a entrada faz tanta diferença no financiamento imobiliário

Entrada maior significa menos dívida, parcelas menores e, em muitos casos, taxa de juros menor — porque o banco assume menos risco quando o comprador já tem "pele no jogo". Um financiamento de R$ 400 mil (80% de um imóvel de R$ 500 mil) gera uma parcela inicial muito maior do que um de R$ 300 mil (60% do mesmo imóvel).

Além da entrada em si, o comprador precisa ter disponível o valor de ITBI, escritura e registro — que juntos representam mais 4% a 5% do valor do imóvel e não entram no financiamento.

Quanto você precisa ter disponível para comprar um imóvel

Item% do valorImóvel R$ 300 milImóvel R$ 400 milImóvel R$ 500 mil
Entrada mínima (20%)20%R$ 60.000R$ 80.000R$ 100.000
ITBI (~2,5%)2,5%R$ 7.500R$ 10.000R$ 12.500
Escritura e registro (~2%)2%R$ 6.000R$ 8.000R$ 10.000
Total necessário~24,5%R$ 73.500R$ 98.000R$ 122.500

A tabela usa 20% como entrada mínima. Nos programas MCMV, o mínimo pode ser menor (às vezes 5% a 10%), mas o custo total do financiamento cresce de forma significativa.

Quanto tempo leva para juntar o valor necessário

O prazo depende de quanto você consegue poupar mensalmente e do rendimento dos investimentos. Veja as estimativas para os cenários mais comuns:

ObjetivoGuardar R$ 1.000/mêsGuardar R$ 2.000/mêsGuardar R$ 3.500/mês
Juntar R$ 80.000~6,5 anos~3,3 anos~2 anos
Juntar R$ 100.000~8 anos~4 anos~2,4 anos
Juntar R$ 130.000~10 anos~5 anos~3 anos

*Estimativas com rendimento aproximado de 13% a.a. líquido sobre os aportes mensais acumulados

A mensagem central: quem poupa R$ 3.500 por mês chega ao objetivo de R$ 100.000 em pouco mais de 2 anos. Quem poupa R$ 1.000 leva 8 anos. A diferença de prazo é muito maior que a diferença de renda entre as pessoas.

Onde investir o dinheiro da entrada do imóvel

A regra é simples: dinheiro que você vai usar em até 3 anos não deve estar em risco. Priorize segurança e liquidez:

InvestimentoRendimento aprox. (2026)IRLiquidezIdeal para
Tesouro Selic (Reserva)~14,5% a.a.Sim (22,5% → 15%)Imediata (Pix)Prazo flexível
CDB liquidez diária100–105% CDISimImediataPrazo flexível
LCI / LCA85–95% CDI (isento IR)IsentoMínimo 6 mesesPrazo definido ≥ 6 meses
Poupança~6,2% a.a.IsentoImediataNão recomendada

A poupança rende cerca de 6,2% ao ano com a Selic em 14,5% — bem abaixo da inflação e de qualquer alternativa de renda fixa. Não use poupança para esse objetivo.

Como usar o FGTS para completar a entrada

O FGTS pode ser usado como parte ou totalidade da entrada, desde que:

  • O trabalhador tenha pelo menos 3 anos de trabalho com recolhimento de FGTS (não precisa ser no mesmo emprego).
  • O imóvel esteja no município ou região metropolitana onde reside ou trabalha.
  • O valor do imóvel não ultrapasse o teto do SFH (R$ 1,5 milhão em 2026).
  • O comprador não possua outro imóvel financiado pelo SFH no Brasil.