Planejamento Financeiro para Comprar o Primeiro Imóvel: passo a passo

Quanto guardar, onde aplicar e qual a ordem certa: da reserva de emergência até a chave na mão. Com salário de R$ 5k a R$ 12k, veja em quanto tempo você consegue comprar.

Planejamento Financeiro para Comprar o Primeiro Imóvel: passo a passo

Comprar o primeiro imóvel é a maior decisão financeira da vida da maioria dos brasileiros. Quem planeja bem chega na entrada com dinheiro suficiente, sem usar a reserva de emergência, sem comprometer o orçamento nas parcelas e sem se surpreender com os custos de cartório, ITBI e reforma. Este guia mostra o passo a passo completo — do zero até a chave na mão.

Primeiro passo: entenda quanto você pode financiar

Os bancos limitam o valor da parcela do financiamento a no máximo 30% da renda bruta familiar mensal. Esse é o ponto de partida para saber qual imóvel está dentro do seu alcance antes mesmo de começar a poupar a entrada.

Renda bruta familiarParcela máxima (30%)Imóvel que consegue financiar*
R$ 5.000R$ 1.500/mêsAté ~R$ 230.000
R$ 8.000R$ 2.400/mêsAté ~R$ 360.000
R$ 12.000R$ 3.600/mêsAté ~R$ 540.000
R$ 18.000R$ 5.400/mêsAté ~R$ 810.000

*Estimativa para financiamento SAC de 30 anos, taxa de 11,5% ao ano. Os valores variam conforme o banco, o prazo e o sistema de amortização. Use o app Finaqui para simular com os dados exatos do seu perfil.

Segundo passo: calcule o total que precisa juntar

Comprar um imóvel exige muito mais do que a entrada. A conta completa inclui:

CustoEstimativaQuando pagar
Entrada (20% do imóvel)20% a 30% do valorNa assinatura do contrato
ITBI~3% do valorAntes da escritura/registro
Registro em cartório~1% do valorNo momento do registro
Avaliação bancária~R$ 3.500Durante a análise do banco
Reforma e mudançaVariável — R$ 5k a R$ 30k+Após a entrega das chaves
Reserva de emergência (intacta)6 meses de despesasSempre disponível

Para um imóvel de R$ 400.000, a conta fica assim: entrada de R$ 80.000 + ITBI de R$ 12.000 + cartório de R$ 4.000 + avaliação de R$ 3.500 = pelo menos R$ 99.500 antes de pagar a primeira parcela. Some a isso a reserva de emergência — que não pode ser usada — e o valor que você precisa ter disponível pode superar R$ 130.000.

Terceiro passo: quanto tempo leva para juntar a entrada

Para um imóvel de R$ 400.000 com entrada de R$ 80.000 (20%), guardando uma parte fixa da renda todo mês:

RendaPoupança mensal (20-30% da renda)Tempo para R$ 80.000
R$ 5.000R$ 1.000/mês~80 meses (6,5 anos)
R$ 8.000R$ 2.000/mês~40 meses (3,3 anos)
R$ 12.000R$ 3.600/mês~22 meses (2 anos)

Esses prazos consideram aportes lineares sem rendimento. Na prática, investindo em LCI/LCA o prazo cai levemente graças ao rendimento acumulado. E aumentar o percentual poupado de 20% para 30% pode cortar o prazo quase pela metade.

Quarto passo: onde guardar o dinheiro da entrada

O dinheiro da entrada não é reserva de emergência — você sabe quando vai precisar e não precisa de liquidez imediata. Por isso, LCI e LCA são a escolha ideal: isentas de IR, rendimento superior ao CDB, com carência de 6 meses que se encaixa bem no horizonte de planejamento.

  • Horizonte acima de 6 meses: LCI ou LCA a 90%+ do CDI — isenta de IR, rende mais que CDB
  • Horizonte de 1 a 6 meses: CDB com liquidez diária ou Tesouro Selic — acesso imediato sem perda
  • Nunca misture o dinheiro da entrada com a reserva de emergência — mantenha em contas separadas
  • Nunca invista o dinheiro da entrada em renda variável (ações, FIIs, criptomoedas) — o risco de perda não compensa

A ordem certa: não pule etapas

  • 1. Organize o orçamento — entenda exatamente quanto sobra todo mês depois dos gastos essenciais
  • 2. Monte a reserva de emergência — 3 a 6 meses de despesas em CDB liquidez diária ou Tesouro Reserva
  • 3. Quite dívidas caras — cartão de crédito e cheque especial cobram 15% a 20% ao mês; quite antes de poupar para o imóvel
  • 4. Poupança da entrada em LCI/LCA — com meta e prazo definidos
  • 5. Simule o financiamento com antecedência — entenda qual banco oferece o menor CET antes de dar o lance
  • 6. Acompanhe o score de crédito — score alto abre portas para taxas melhores
  • 7. Dê a entrada mantendo a reserva intacta — nunca use a reserva para completar a entrada

O erro mais caro: usar toda a poupança na entrada

O erro mais comum de quem compra o primeiro imóvel é chegar na compra com exatamente o valor da entrada e zero de reserva. Logo depois da assinatura, aparecem: IPTU atrasado do imóvel, reformas urgentes, despesas de mudança, meses de condomínio antes do emprego estar estabilizado. Sem reserva, qualquer imprevisto vira dívida no cartão.

A regra prática: chegue na compra com pelo menos a entrada + os custos de cartório e ITBI + 6 meses de parcelas guardados. Parece muito — mas é a diferença entre uma compra tranquila e anos de estresse financeiro.

Para entender como funciona o financiamento depois de dar a entrada, leia nosso guia sobre etapas do financiamento imobiliário do pedido à chave.

Simule seu financiamento no Finaqui

Compare parcelas, sistemas de amortização e bancos em segundos. Grátis, sem anúncios.

Baixar grátis na Play Store

Grátis • Sem anúncios • Dados 100% privados

Perguntas frequentes

Quanto de entrada os bancos exigem para financiar um imóvel?

A maioria dos bancos financia entre 70% e 80% do valor do imóvel, exigindo entre 20% e 30% de entrada. A Caixa Econômica pode financiar até 90% em alguns casos pelo Minha Casa Minha Vida. O mínimo mais comum no mercado convencional em 2026 é 20% de entrada.

Posso usar o FGTS como entrada do imóvel?

Sim. O FGTS pode ser usado para compor a entrada de imóveis financiados pelo SFH (até R$ 2,25 milhões de valor em 2026), desde que você tenha pelo menos 3 anos de trabalho com FGTS e o imóvel seja sua residência principal. O saldo do FGTS entra diretamente no banco no momento da contratação.

Qual o comprometimento máximo de renda para o financiamento?

Os bancos aceitam até 30% da renda bruta familiar. Algumas instituições aceitam até 35%, mas 30% é o padrão mais seguro e o mais usado nas análises de crédito. Renda de R$ 8.000 → parcela máxima de R$ 2.400.

Preciso de score alto para conseguir financiamento?

Score alto não é obrigatório, mas influencia nas condições. Quem tem score acima de 700 costuma ter acesso a taxas menores e aprovação mais rápida. Organize as finanças com pelo menos 6 meses de antecedência para melhorar o score antes de pedir o financiamento.

Primeiro imóvel tem algum benefício no registro?

Sim. A Lei 6.015/1973 garante 50% de desconto nas taxas de registro de imóveis para quem está adquirindo o primeiro imóvel financiado pelo SFH. O desconto é solicitado no cartório de registro na hora do processo.