Como calcular a entrada do imóvel para financiamento

Saiba qual o percentual mínimo de entrada exigido pelos bancos, como calcular o valor necessário, o que pode ser usado como entrada e como a entrada afeta a parcela e a taxa de juros.

Como calcular a entrada do imóvel para financiamento

A entrada é o primeiro grande obstáculo para quem quer comprar um imóvel. Os bancos financiam até 80% do valor — o que significa que o comprador precisa ter os outros 20% disponíveis antes de assinar qualquer contrato. Mas o cálculo não é tão simples quanto parece, especialmente para imóveis usados, onde a avaliação técnica do banco pode ser diferente do preço negociado.

Neste artigo você aprende como calcular exatamente o valor da entrada necessária, o que os bancos aceitam como entrada, como o FGTS entra nessa conta e como a entrada afeta a parcela mensal e a taxa de juros.

Percentual mínimo de entrada por banco e modalidade em 2026

Banco / ModalidadeEntrada mínimaFinanciamento máximo
Caixa — SBPE (novo e usado)20%80%
Caixa — MCMV Faixa 1Pode ser zero (subsídio)Até 100%
Caixa — MCMV Faixa 2A partir de ~5%Até 95%
Caixa — MCMV Faixa 3~10% a 20%Até 80–90%
Itaú / Bradesco / Santander / BB20%80%
SFI (imóveis acima de R$ 2,25 mi)30% a 50%50% a 70%

Uma mudança importante de outubro de 2025: a Caixa voltou a financiar imóveis usados no SBPE com cota de 80% — ou seja, entrada de 20%, igual ao imóvel novo. Antes, imóvel usado exigia entrada de 30% a 50%. Isso eliminou uma das principais desvantagens de comprar imóvel usado no crédito convencional.

Como calcular a entrada do imóvel: a fórmula e a armadilha do imóvel usado

Para imóvel novo, o cálculo é direto:

  • Entrada mínima = valor do imóvel × 20%
  • Financiamento máximo = valor do imóvel × 80%

Para imóvel usado, existe uma armadilha que pega muita gente desprevenida: o banco financia com base na avaliação técnica feita pela engenharia da instituição, não pelo preço que o vendedor pede. Se o banco avalia o imóvel em R$ 450 mil, mas você pagou R$ 500 mil, o banco financia até R$ 360 mil (80% de R$ 450 mil). Você precisará cobrir os R$ 140 mil restantes — não os R$ 100 mil que planejou.

Exemplos práticos com imóvel avaliado pelo banco:

Valor avaliadoEntrada (20%)Financiamento (80%)Renda mínima aprox.
R$ 200.000R$ 40.000R$ 160.000R$ 3.200/mês
R$ 350.000R$ 70.000R$ 280.000R$ 5.600/mês
R$ 500.000R$ 100.000R$ 400.000R$ 8.000/mês
R$ 800.000R$ 160.000R$ 640.000R$ 12.800/mês

Renda mínima calculada pela regra de comprometimento de 30% da renda bruta, com prazo de 30 anos no SAC.

Para entender como o banco faz a avaliação e o que pode reduzir ou aumentar o valor aprovado, leia nosso artigo sobre avaliação de imóvel pelo banco.

O que os bancos aceitam como entrada no financiamento imobiliário

A entrada pode ser composta por diferentes tipos de recursos, e os bancos aceitam a combinação deles:

  • Poupança própria: aceita em todos os bancos, sem restrições
  • FGTS: aceito para imóveis dentro do SFH (até R$ 2,25 milhões desde novembro de 2025). Pode cobrir totalmente ou parcialmente a entrada. Exige mínimo de 3 anos de FGTS acumulado (contínuo ou não) e ausência de financiamento ativo no SFH
  • Venda de bem (carro, imóvel, investimento): aceita, mas o banco pode pedir comprovação da origem dos recursos
  • Doação de familiar: aceita com declaração formal de doação. O banco verifica que não se trata de empréstimo disfarçado
  • FGTS + poupança combinados: prática comum e aceita por todos os bancos

O que os bancos não aceitam como entrada: empréstimos pessoais, crédito rotativo, limite de cartão de crédito ou cheque especial. O banco verifica a origem dos recursos e pode solicitar extrato bancário dos últimos 3 a 6 meses. Para saber exatamente como usar o FGTS na entrada, veja nosso guia completo sobre como usar o FGTS no financiamento imobiliário.

Como a entrada afeta a parcela, a taxa de juros e o custo total

Dar uma entrada maior do que o mínimo exigido tem impacto direto no custo do financiamento em três dimensões:

Parcela menor: financiar menos principal significa menos juros acumulados ao longo do prazo. Para um imóvel de R$ 500 mil, a diferença entre dar 20% de entrada (financia R$ 400 mil) e 30% (financia R$ 350 mil) representa uma redução de cerca de R$ 500 a R$ 700 na primeira parcela do SAC — e essa diferença cai ao longo dos anos, mas o custo total economizado é significativo.

Possível redução de taxa: alguns bancos oferecem taxas ligeiramente menores para operações com LTV (Loan to Value, ou relação entre o financiamento e o valor do imóvel) abaixo de 60%. Quanto menos o banco empresta em proporção ao valor do imóvel, menor o risco e maior a chance de condições diferenciadas.

Custo total menor: juros incidem sobre o saldo devedor. Quanto menor o saldo inicial, menor o total de juros pagos ao longo de 30 anos. Em um financiamento de R$ 400 mil por 30 anos a 11% ao ano, o valor total pago em juros ultrapassa R$ 500 mil — a entrada reduz diretamente esse montante.

Estratégias para juntar a entrada mais rápido

  • Tesouro Selic ou CDB acima de 100% do CDI: para prazo de 1 a 3 anos, mais rentável e seguro que a poupança tradicional
  • Usar o FGTS acumulado: se você tem 3 ou mais anos de carteira assinada, o saldo disponível pode reduzir ou zerar a entrada necessária
  • Consórcio como poupança programada: uma cota de consórcio imobiliário acumula crédito sem pagar juros (apenas taxa de administração de 15% a 20% do total diluída no prazo)
  • Meta de entrada acima do mínimo: juntar 25% ou 30% em vez dos 20% mínimos reduz a parcela, melhora as condições e diminui o risco de rejeição na avaliação do banco

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Perguntas frequentes

Qual o percentual mínimo de entrada para financiar imóvel?

Para o financiamento convencional (SBPE) na maioria dos bancos, a entrada mínima é de 20% do valor do imóvel — tanto para imóvel novo quanto usado. No Minha Casa Minha Vida, a entrada pode ser menor: Faixa 1 pode ter entrada zero com subsídio, Faixa 2 começa em torno de 5%. Para imóveis acima de R$ 2,25 milhões (SFI), a entrada costuma ser de 30% a 50%.

Posso usar o FGTS como entrada do imóvel?

Sim. O FGTS pode ser usado para cobrir total ou parcialmente a entrada em imóveis dentro do SFH (até R$ 2,25 milhões). Para isso, você precisa ter no mínimo 3 anos de FGTS acumulado (contínuos ou não em diferentes empregos), não possuir financiamento ativo no SFH e o imóvel deve ser para moradia própria.

O banco financia pelo preço do imóvel ou pela avaliação?

Sempre pela avaliação técnica feita pelo próprio banco. Se o banco avalia o imóvel em R$ 450 mil e você pagou R$ 500 mil, o banco financia até 80% de R$ 450 mil, ou seja, R$ 360 mil. Os R$ 140 mil restantes precisam sair do seu bolso. Por isso, é importante pedir a avaliação antes de fechar o negócio.

Dar entrada maior reduz a taxa de juros?

Em alguns bancos, sim. Operações com LTV abaixo de 60% (financiando menos de 60% do valor do imóvel) podem receber taxas ligeiramente menores, porque o risco do banco é mais baixo. A redução não é garantida nem aplicada de forma automática — é preciso negociar e comparar as condições com diferentes bancos.

Doação de pais pode ser usada como entrada de imóvel?

Sim, mas com documentação adequada. O banco pode solicitar comprovante da doação (declaração formal assinada pelo doador) e verificar que não se trata de um empréstimo disfarçado que comprometa ainda mais a renda do comprador. O extrato bancário mostrando a transferência também pode ser pedido para comprovar a origem dos recursos.

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